Uma das maiores dificuldades das empresas é fazer com que os trabalhadores utilizem os equipamentos de segurança. É muito comum, visitarmos uma empresa ou obra e encontrarmos trabalhadores portando seus equipamentos mas sem utiliza-los devidamente. Mas o que está acontecendo?
Segundo a Norma Regulamentadora número
6 (NR-6) do Ministério do Trabalho temos:
“6.3 – A empresa é obrigada a fornecer aos empregados, gratuitamente, EPI
adequado ao risco, em perfeito estado de conservação e funcionamento, nas
seguintes circunstâncias:
a) sempre que as medidas de ordem geral não ofereçam completa proteção
contra os riscos de acidentes do trabalho ou de doenças profissionais e do trabalho;
b) enquanto as medidas de proteção coletiva estiverem sendo implantadas;
e,
c) para atender a situações de emergência.”
Sendo assim, a empresa é obrigada por
Lei/Norma a adquirir o EPI conforme a exposição do trabalhador ao risco, tem
que dar o EPI gratuitamente, substituir quando danificado (item 6.6 da NR 6) e
o trabalhador está negligenciando o uso? Há algo de errado!!!
A mesma NR fala também das obrigações
do Empregado em relação aos EPI´s:
“6.7 – Cabe ao empregado
6.7.1 – Cabe ao empregado quanto ao EPI:
a) usar, utilizando-o apenas para a finalidade a que se destina;
b) responsabilizar-se pela guarda e conservação;
c) comunicar ao empregador qualquer alteração que o torne impróprio
para uso; e,
para uso; e,
d) cumprir as determinações do empregador sobre o uso adequado.”
Pois bem, estabelecidas as
obrigatoriedades de cada parte, entendemos que o uso do EPI não poderia ser
negligenciado, então o que falta?
Em primeiro lugar, é preciso deixar
claro para o trabalhador aonde ele está inserido no processo, ou seja,
esclarecer que dentro da empresa existem direitos e deveres e que se não
cumpridos haverá consequências.
Em segundo lugar, é preciso mostrar
ao trabalhador, com fatos e dados que nos ambientes onde há a necessidade do
uso do EPI existem riscos e que estes riscos poderão lhe causar danos à saúde
ou até mesmo a perda da própria vida, quando falarmos de trabalho em altura.
Dificilmente se conseguirá com que o
trabalhador utilize corretamente o EPI e cumpra com seus deveres em relação ao
mesmo, se não houver conscientização. Para que façamos algo precisamos saber o
porquê temos que fazer. Se eu preciso usar um capacete, eu preciso entender o
porquê tenho que utilizar. Usar por que alguém determinou não é convincente, ao
contrário, provoca resistência, e o EPI acaba por ser deixado de lado não
cumprindo o seu objetivo.
Acredito muito na aplicação da
empatia, colocar-se no lugar do outro, ou seja, como eu me sentiria sendo
obrigado a utilizar algo que não estou acostumado sem saber por que?
Com certeza teremos melhor resultado
se, ao invés de obrigarmos simplesmente, conversarmos com o trabalhador antes
de iniciar o trabalho e explicar os motivos pelos quais são necessários a
utilização deste ou daquele equipamento.
Lembramos que um Equipamento de
Proteção Individual não evita acidente. Segundo a NR 6, 6.1 Para os fins de aplicação desta Norma Regulamentadora - NR, considera-se
Equipamento de Proteção Individual - EPI, todo dispositivo ou produto, de uso
individual utilizado pelo trabalhador, destinado à proteção de riscos
suscetíveis de ameaçar a segurança e a saúde no trabalho. Este, por si só, não é eficaz.
Um EPI ele é, se adquirido
corretamente para o risco existente, apenas eficiente. Somente será eficaz se
ele for utilizado corretamente durante todo o tempo em que o trabalhador
permanece exposto ao risco.
Para finalizar, reproduzimos o texto
extraído do site http://www.prevencaonline.net/2010/04
“...se queremos conscientizar à utilização do EPI e sobre os cuidados
inerentes à prevenção de acidentes, temos que sublinhar as relações com todos
os trabalhadores enfatizando aspectos comportamentais. Dando espaço para
virtudes pessoais no eu profissional: reconstruindo modelos mentais de relações
profissionais de um ser que efetivamente vive seu momento social dentro ou fora
do seu ambiente laboral. Destacando os aspectos emocionais e de autoestima,
através da elaboração de comunicações e informações de modo contínuo,
difundindo mensagens que associem o seu papel enquanto trabalhador com os
papéis que desempenha na vida social tais como: pais, mães, filhos, maridos,
esposas, namorados, namoradas, amigos, amigas, enfim... pessoas, que possuem
relações afetivas para as quais os resultados da vida profissional e do
trabalho são significativos e importamo-nos em apresentá-los.”
Sérgio de Lima Júnior
Especialista em Saúde e Segurança do Trabalho


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